Conheça a fintech que quer abocanhar 10% do mercado de consórcios

Danylo Martins | Finsiders

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O setor de consórcios cresceu 26% no ano passado. No primeiro semestre de 2020, porém, o segmento sofreu com a crise e ficou estável, com R$ 61,3 bilhões em créditos comercializados, segundo dados da Abac, associação do setor. Ainda assim, a projeção é de expansão de dois dígitos.

Mercado historicamente tradicional e com pouco uso de tecnologia, começa a atrair negócios, como o Mycon. Criada em 2017 pelos irmãos Márcio e Marcelo Kogut, a fintech começou a operação em dezembro do ano passado, quando o grupo logístico Coimex entrou como sócio da startup. Hoje, os consórcios do Mycon são da Coimex Administradora de Consórcios.

Com investimento inicial de cerca de R$ 10 milhões dos próprios sócios, o Mycon cresceu 600% nos últimos três meses e quer abocanhar uma fatia de 10% desse mercado (que movimenta em torno de R$ 140 bilhões por ano) até 2023, conta Márcio Kogut, cofundador e CEO da fintech, em entrevista exclusiva à Finsiders.

“A gente estima fechar o ano com R$ 300 milhões em créditos concedidos.”

A aposta é em um produto contratado de forma 100% digital para aquisição de imóveis de até R$ 500 mil, automóveis de até R$ 120 mil ou ainda serviços, como reforma, estudos e cirúrgia plástica, por exemplo. Desde o início da operação, mais de 50 clientes foram contemplados.

Mycon, plataforma digital de venda de consórcio (Crédito: Reprodução/Instagram)

Kogut diz que o consórcio do Mycon chega a ser 50% mais barato em relação aos concorrentes. A fintech opera com uma taxa fixa total de 9,99% para todos os prazos e perfis de produtos.

Hoje, as principais modalidades vendidas são para compra de imóveis, automóveis e motos. A empresa está lançando também consórcio para aquisição de embarcações, como barcos, jet-ski, além de máquinas, tratores e outros tipos de equipamentos.

“Em oito meses, o Mycon é uma empresa que está tendo receita, crescendo de forma sustentável. Já validamos modelo de receita. Nosso papel é criar uma desintermediação nesse segmento.”

Segundo Kogut, a contemplação tradicional, entre pegar a carta de crédito e conseguir comprar o bem, leva cerca de 90 dias. A fintech diz fazer esse processo em sete dias. “Queremos baixar para 48 horas.”

Experiência no setor

O empreendedor, que montou um e-commerce no fim dos anos 1990, desenvolve soluções de conteúdo digital para o mercado de consórcios há pelo menos 15 anos.

Desde então, Kogut diz ter desenvolvido praticamente todas as inovações e tecnologias no segmento, inclusive o gateway de pagamentos PagConsórcio.

“O mercado de consórcios é um mercado igual há cinco anos, não só na experiência, mas no atendimento. Não é um produto vendido como deveria.”

Por atender algumas das maiores administradoras de consórcio do país, os irmãos Kogut notaram que, com uso de inteligência artificial (IA), daria para melhorar a experiência de contratação desse tipo de produto.

Daí nasceu o Mycon, que funciona por meio de um chatbot de mesmo nome que vai guiando a compra no site ou app. É tudo 100% digital, mas se o cliente quiser tirar dúvidas, pode recorrer à equipe de atendimento, diz Kogut. Hoje, a fintech tem cerca de cem pessoas na equipe e está com vagas em aberto.

Principal veículo de jornalismo especializado no ecossistema de fintechs no Brasil. Cadastre-se e leia em www.finsiders.com.br

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