Esta fintech quer dar crédito para salões de beleza e está fechando parcerias com bancos

Danylo Martins | Finsiders

Num movimento de “hiperespecialização”, as fintechs começam a atacar determinados nichos e públicos. É o caso da FinMatch, que acaba de ser lançada e quer oferecer crédito para donos e profissionais de salões de beleza e estética. O foco são os microempreendedores individuais (MEIs) à frente desses negócios ou profissionais autônomos que atuam nos salões, barbearias e clínicas de estética. Mas a ideia não é só ficar no crédito, e sim disponibilizar outros serviços financeiros, como conta digital e adquirência.

Por trás da fintech estão o administrador Plínio de Andrade, com 20 anos de carreira no setor financeiro, e o cientista da computação Fabiano Sandaniel, há mais de 20 anos no mercado de consultoria de TI. Eles resolveram se unir este ano, depois de perceberem a dificuldade dos salões de beleza se manterem durante a crise, diz Andrade.

“Comecei a conversar com algumas pessoas, e me deparei que muitos estavam parados. As contas chegando. Muitos recorreram aos bancos tradicionais e perceberam que os requerimentos eram muitos.”

Os empreendedores rodaram o MVP em outubro com uma rodada family and friends (de valor não revelado) e agora estão fechando uma captação com investidores-anjos para fazer melhorias na plataforma e, assim, levá-la a mercado oficialmente em janeiro.

Para o primeiro ano de operação, a FinMatch tem como meta atender mais de 2.400 clientes, com expectativa de originar cerca de R$ 7,5 milhões em crédito ao longo de 2021. “Estamos negociando com fundos de investimento e bancos tradicionais que querem apoiar o ecossistema”, conta Andrade.

Dois acordos estão sendo fechados com bancos, um digital e outro tradicional, para ofertar conta digital PJ e serviços de adquirência para os clientes da FinMatch, revela o empreendedor à Finsiders, sem abrir os nomes.

O produto da fintech é um capital de giro, com tíquetes baixos, que partem de R$ 500 e podem chegar a R$ 25 mil. Mas o tíquete médio não passa de R$ 3 mil, segundo estudos feitos pela startup. O prazo para pagamento vai de três a 36 meses, com taxas que variam de 2,99% a 7,99% ao mês.

A FinMatch mira um mercado que movimenta cerca de R$ 100 bilhões por ano no Brasil. Ao todo, existem 500 mil salões de médio e grande portes, e 1,7 milhão de MEIs, sendo que 600 mil deles podem ser considerados de baixo risco de inadimplência, conforme os levantamentos da fintech.

“Por mês, abrem em média 7 mil salões no país. Vamos aparar desde salão parceiro (dono do salão) até os profissionais, que também são MEIs.”

Segundo o empreendedor, os principais concorrentes hoje são grandes bancos e fintechs de crédito. No mercado de beleza, o que mais se aproxima do que a FinMatch vai fazer é a Avec, que nasceu como uma plataforma de gestão para o segmento e nos últimos anos lançou conta digital, maquininha própria e cartão de crédito.

Além de serviços financeiros, a FinMatch vai oferecer um serviço de assessoria para ajudar os MEIs a avaliar e escolher o crédito adequado a cada tipo de situação, que vai desde a tomada de recurso para expansão até a reestruturação de dívidas, avaliando variáveis como o tamanho do negócio, finalidade do empréstimo, carências para iniciar o repagamento e requerimentos adicionais necessários.

Já os conteúdos educativos sobre administração e finanças, que serão disponibilizados a partir de 2021, terão como objetivo ajudar os donos de salões a planejarem a gestão do negócio. Além disso, a fintech vai repassar 1% do valor de cada parcela mensal, paga em dia por clientes, para instituições beneficentes.

Principal veículo de jornalismo especializado no ecossistema de fintechs no Brasil. Cadastre-se e leia em www.finsiders.com.br

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