Liderada por ex-CEO da Rede, Sorocred vira Afinz e muda modelo de negócio

Danylo Martins | Finsiders

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Três décadas depois, a Sorocred resolveu repensar o negócio e na última semana anunciou a mudança de nome para Afinz, num reposicionamento que coloca a financeira criada em Sorocaba como uma instituição de estrutura mais aberta, abrindo suas portas para novas parcerias. O objetivo é conectar varejistas e consumidores, com uma plataforma completa de produtos e serviços financeiros.

A transformação é liderada por Claudio Takashi Yamaguti, executivo experiente no mercado de pagamentos, que presidiu a Rede (Redecard) e comandou a operação do Itaú Unibanco no Paraguai. No conselho da Sorocred desde 2018, Yamaguti assumiu a cadeira de presidente no fim do ano passado, com a missão de tocar a reformulação da empresa.

“Resolvemos construir essa fintech que horizontaliza tudo. Até então, éramos totalmente verticalizados”, explica o executivo em entrevista à Finsiders. Foi preciso repensar a companhia, desenvolver uma nova cultura, com novos valores. Até porque a instituição operava num modelo totalmente fechado, com adquirente própria.

Claudio Takashi Yamaguti, presidente da Afinz

Agora a Afinz quer se conectar com parceiros para criar novos produtos e serviços para sua base, formada por mais de 5 milhões de clientes pessoa física e mais de 400 mil empresas.

A primeira iniciativa foi a criação de um cartão de crédito, emitido pela Afinz com a bandeira Visa, que terá a tecnologia da americana First Performance, que permite ao titular do cartão “desligar” e “ligar” o produto sem a necessidade de entrar em contato com um atendente.

Outros produtos estão previstos para lançamento até o fim do ano. A empresa montou uma corretora de seguros e uma operação de marketplace para lojistas que queiram começar a vender no comércio online. O próximo passo é colocar no ar uma plataforma de investimentos, que distribuirá não apenas os títulos de renda fixa (RDB, por exemplo) da financeira, mas também produtos de terceiros.

Em novembro, a Afinz também vai lançar uma plataforma de antecipação de recebíveis, com o objetivo de conectar lojistas a financiadores, numa espécie de balcão. O projeto está em construção e será lançado assim que entrarem em vigor as novas regras do BC para registro de recebíveis de cartões — o novo sistema entra em vigor em 3 de novembro.

“Estamos montando essa plataforma dentro do conceito de comunidade, em que juntamos de um lado os estabelecimentos comerciais e do outro os financiadores que querem financiar os recebíveis.”

Em parceria com uma empresa de tecnologia para a área da saúde, a Afinz está desenhando uma solução para facilitar pagamentos de tratamentos e pequenas cirurgias, conta Yamaguti sem abrir detalhes do projeto.

Com um modelo “open mind”, como o executivo gosta de definir a atuação da Afinz, a ideia é ampliar as parcerias com fintechs, que queiram usar a estrutura da instituição. “Estamos dispostos a ajudar porque nenhuma fintech nasce grande”, diz. Para a empresa também é vantajoso, já que desenvolver tudo dentro de casa leva mais tempo e custa caro.

Nos últimos anos, a Sorocred possibilitou que diversas fintechs começassem a operar como correspondentes bancários, num modelo muito usado pelos novos entrantes antes regulamentação da figura de Sociedade de Crédito Direto (SCD). Entre as fintechs que atuam ainda como correspondentes da Sorocred estão Creditas, Lendico e Simplic.

Hoje com 150 varejistas, que já emitiram mais de 5 milhões de cartões para seus consumidores, a Afinz tem uma carteira de crédito total de cerca de R$ 420 milhões, sendo aproximadamente R$ 360 milhões na operação de cartões, diz Yamaguti.

Entre março e abril, a empresa sofreu com os efeitos da pandemia. Não à toa, viu o lucro líquido virar prejuízo no primeiro trimestre do ano. A recuperação já começou, segundo o executivo. “Estamos faturando 35% mais do que no ano passado”, conta.

Com um posicionamento de conectar, comprar e vender e cuidar, a nova marca Afinz foi desenhada pela empresa de branding Ana Couto. O nome vem de afinidade e fidelidade com o cliente, mas também significa uma empresa de A a Z, explica Yamaguti. “Não vamos ganhar dinheiro nas transações, mas no relacionamento com o cliente.”

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