STARK levanta seed money e espera assessorar cinco operações de M&A no primeiro tri de 2021

A STARK, plataforma digital de M&A que conecta investidores a empresas do middle-market, acaba de levantar um seed money (valor não revelado) em uma rodada feita pelo pool de fintechs da Bossa Nova Investimentos.

Segundo apurou a Finsiders, a empresa estava em conversas iniciais com outros investidores, como fundos e family offices, mas optou por fechar a rodada apenas com a Bossa Nova, não apenas pelo dinheiro, mas também pelo smart money do pool de fintechs e do próprio micro VC. A informação foi confirmada por João Vitor Carminatti, cofundador e CEO da STARK.

“Nosso business tem margens altas, nossa operação dá lucro quando olhamos receita recorrente versus despesas recorrentes, mas temos componente de ‘sucess fee’, que é percentual das transações. Nossa margem Ebitda é cavalar, mas entendemos que a rodada é importante em termos de posicionamento.”

Com o dinheiro, a startup vai desenvolver dois novos produtos. Um deles, já em andamento como protótipo internamente, é um software para automatizar o processo de normalização de demonstrações financeiras das empresas. A ideia é lançá-lo no primeiro semestre, conta o empreendedor em entrevista exclusiva à Finsiders.

Outro produto é um SaaS para empresas de tecnologia, com um conjunto de ferramentas para facilitar a operação de M&A desses empresários. A explicação para essa solução é simples: a cada dois deals de M&A que chegam ao dealflow da STARK, um é de tecnologia. Para esse produto — que deve ajudar na conexão de empresários também com investidores-anjos — , a previsão de lançamento é o segundo semestre do ano.

“Começamos a digitalização do M&A pela etapa em que residia a maior dor, que é o ‘matchmaking’. Uma vez que tem matchmaking, para o deal acontecer, entra em avaliação operacional, escrutínio dos números e diligência. Essa parte é hoje feita em Excel.”

Fundada em 2016, a STARK atende empresas do middle-market com faturamento anual acima de R$ 20 milhões — para empresas de tecnologia, a régua cai para R$ 12 milhões. Já o teto de faturamento anual chega a R$ 300 milhões. A estrutura tecnológica construída pela startup permite atender companhias de todo o país, inclusive fora do eixo Rio-São Paulo.

O negócio é fruto da união entre Carminatti, um economista catarinense com MBA em engenharia financeira pela Poli-USP, ex-portfolio manager da Wisgold Gestão de Ativos, e Rodrigo Ruiz Pinha, advogado com pós-graduação em direito empresarial. Em 2017, o engenheiro, administrador e professor Gualtiero Schlichting juntou-se ao time de diretores.

Segundo Carminatti, deals maiores são atendidos por bancos de investimento, enquanto no middle-market as operações de M&A acabam sendo assessoradas por consultorias ou boutiques, normalmente criadas por ex-executivos de bancos, com track record. Mas esses processos ainda são ineficientes e lentos.

“O mercado de M&A parou no tempo. O que prevalece são velhas práticas, com processos ineficientes, lentos. O próprio relacionamento com empresários é algo no qual a abordagem é quase intimidadora. Muitas vezes tendo que contratar serviços desnecessários para o que queria, que é vender empresa ou atrair investidor.”

Entre 2018 e 2019, a STARK — que começou assessorando operações de forma analógica — coletou as principais teses de investimento de fundos de Venture Capital, Private Equity e investidores estratégicos (médias e grandes empresas. Hoje, esse banco de dados reúne mais de 200 teses de investimento, com destaque para os setores de saúde, educação, tecnologia e telecomunicações.

“Hoje somos gratuitos para investidores. E acaba poupando tempo. Só levo o que o investidor está buscando. Acabamos sendo força comercial relevante.”

Pelo lado da originação dos deals, a fintech aposta em um modelo semelhante ao dos escritórios de agentes autônomos que ficou célebre com a expansão da XP pelo país. Ao todo, a plataforma reúne atualmente 120 dealmakers, que são chamados de Business Development Associate (BDAs) e atuam basicamente na prospecção comercial de novos clientes, ou seja, empresas interessadas em atrair um sócio-investidor ou fazer a venda do negócio.

No pipeline, existem pelo menos outras 500 pessoas dispostas a atuar em parceria com a startup, mas com processo criterioso de seleção. Entram, em média, cinco novos profissionais por mês na base. Na prática, são contadores, advogados, consultores que acompanham de perto a trajetória de empresários de pequeno e médio porte.

Desde o início da plataforma digital, em maio de 2020, a empresa já assessorou o fechamento de três transações, que juntas somaram R$ 130 milhões. Uma das operações foi a venda do provedor de internet Outcenter para o fundo americano Acon, em agosto do ano passado. Também naquele mês, a STARK assessorou o aporte de R$ 1 mihão feito pelo VC Invisto na logtech Equilibrium.

“Muita coisa ficou represada para 2021. Esperamos fechar mais cinco transações no primeiro trimestre.”

As operações em andamento incluem legaltech, empresas de tecnologia para o setor de saúde, fintech, negócios de outsourcing e na área de customer experience (CX). A plataforma soma 97 empresas cadastradas, sendo 23 clientes com transações em curso, conta Carminatti.

Com aumento da receita em 500% no ano passado, a fintech espera crescer mais 300% em 2021. A expectativa é faturar, no primeiro trimestre, o montante alcançado em todo o ano passado.

Outro pilar importante para o negócio da STARK é a área de educação. Segundo Gualtiero Schlichting, chief business officer (CBO), o público-alvo inclui os dealmakers e empresários que estão na jornada para fazer uma rodada de investimentos ou um exit. Professor desde 1991, Schlichting sabe do que fala.

“Criamos um conteúdo específico, fui homologado como professor da FGV, e fizemos um primeiro curso em 2020.”

Agora, a ideia é produzir vídeos e migrar o conteúdo, inicialmente planejado para cursos presenciais, para o ambiente digital. “O MVP da STARK Academy foi validado, é uma unidade de receita da companhia. E vimos que isso fortalece nossa rede, como também confere autoridade dentro do ecossistema”, explica ele.

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